quinta-feira, 28 de junho de 2012

CRISE DE PÂNICO

Qualquer pessoa possui momentos de crise. Qualquer país, qualquer economia. Acho que qualquer "qualquer coisa" tem momentos de crise.
Como, apesar dos pesares, sou um mero mortal, também tenho os meus. Crises financeiras, profissionais, estomacais, etc. Mas nenhuma gera tanto pânico, quanto a crise de pânico.
Vamos convir que nada mais lógico. Uma crise de pânico deve, quase que por obrigação, gerar pânico.
Durante muito tempo, do alto do meu conhecimento sobre psicologia e temas afetos,  achava que estas coisas de fundo psicológico eram frescura. Coisa de quem não tem nada mais importante para fazer. Coisa de desocupado. Acho que eu e a torcida do Flamengo tínhamos esta imagem brilhante. Os pseudos machões.
Capaz que alguém que tivesse preocupações reais, contas para pagar, esposa, filho, trabalho, etc., ia ter tempo para estas frescuras. Ter PIRIPAQUE....este tal de PIRI tinha de ser uma bixona (sem preconceito)..
Não é que não é tanta frescura assim.
Há alguns anos, na verdade muitos anos atrás, depois de desenvolver toda esta sapiência sobre as frescuras psicológicas, experimentei minha primeira experiência de me travestir de PIRI (no bom sentido). Sabe do que mais? Dá pânico mesmo.
O interessante da tal crise pânico é que ela é como soluço. Surge do nada, sem motivo aparente, de forma inesperada, e daqui a pouco (ou muito) acaba. Se você consegue controlar logo, nem lembra que teve, mas caso contrário, é um incômodo absurdo. E de soluço, infelizmente, posso falar. Eu devia estar no GUINESS das esquisitices, pois consegui ficar mais de 5 dias soluçando sem parar. Ou melhor, quando dormia não sei. Mas era acordar e lá estava o companheiro do dia anterior. E soluçar muito, quem já passou por isto sabe, é muito chato. Chega a dar um tipo de pânico...não se chega a ter um piripaque, mas quase. E o remédio? Depois de todas as simpatias, crendices e assemelhados conhecidos na face da Terra, fui ao médico. O médico vai me dar algum remédio de última geração e resolver esta coisa terrível, pensei. Surpreendentemente, após examinar, auscultar, avaliar, etc. ele me prescreveu um remédio da era glacial: gelo. Isto mesmo: mastigar gelo picado. Segundos depois, zero a zero e bola ao centro. O maldito companheiro tinha ido embora. Mas buenas, vamos voltar ao assunto da crise.
Uma crise de pânico, no meu caso, não dura os intermináveis  dias do recorde do soluço, mas parece uma eternidade. Aperto no peito, palpitações, medo iminente de morte, de enfartar, de sei lá o que. Vinda do nada, sem manifestações concretas de seus motivos, mesmo que aparentes, ela, a crise, como diriam os jogadores de futebol, "vem numa crescente". Estar sozinho, acompanhado, deitado, sentado.....é indiferente. Quando dá o estalo propulsor, não adianta. Claro que estar sozinho nestes momentos é ainda mais aterrorizador.
Particularmente, só tinha à noite, sempre em casa. Aqueles minutos ou horas, nunca muitas, duram uma eternidade. No início, enquanto ainda somos amadores em pânico, a gente levanta, toma água, se está deitado senta, se está sentado deita, se acompanhado chama quem está junto (invariavelmente, no início, ouve um "vai dormir e não incomoda"), tira camisa, bota camisa, toma chá, etc. Cada movimento destes gera segundos de calmaria. Segundos na velocidade da luz quando comparados à eternidade da crise.
Como pseudo machão, nada de médico, psicólogo, pai de santo ou qualquer um para quem tenha de se admitir: "tive um piripaque". Passa. Sozinho. Como soluço (pros outros, claro). Só um detalhe: mastigar gelo picado não acaba com a crise de pânico.
Aí, com o passar do tempo, a descoberta: não sou o único. Amigos têm ou já tiveram. Pessoas famosas, anônimas, ricas, pobres...e o pior, que eu saiba, ninguém se chamava PIRI. Ou seja, dá para procurar algum auxílio sem tanta vergonha. Sim, tanta. Homem, maduro, pai de família, empresário, claro que dá uma certa de vergonha de admitir fraquezas. Apesar disto, lá fui eu.
Médico, psicológo, psiquiatra, pode escolher. Depois de algumas avaliações, a conclusão: poderia ter inúmeras motivações. Que beleza!!!
Pelo menos hoje tenho, com a devida prescrição, um comprimidinho para quando ocorrer o primeiro indício de ter a malfadada. Por mágica, depois de passar a ter uma "boleta" para combater, em vários anos só tive duas crises. E leves. Talvez, no meu caso, só o fato de ter o remédio e saber que o pânico duraria nada (perto da eternidade anterior), bastava para sufocar uma eventual crise.
Atualmente não tenho tido as tais crises. Pânico hoje? Só de ter a crise de pânico sem o comprimido por perto.


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